domingo, 30 de outubro de 2011

Reflexão...


 
"A grande questão ao avaliarmos nossas ações é que não se faz o que se quer, mas o que se pode. Uma das condições fundamentais é tornar possível o que parece não ser possível. A gente tem que lutar para tornar possível o que ainda não é possível".
(FREIRE Paulo, São Paulo, 1991).

Um ato de cidadania



Numa escola da periferia de São Paulo, a coordenação e os professores preocupavam-se em motivar os alunos das classes da EJA a irem a escola as sextas-feiras, dia em que a frequência diminuía significativamente. Ao mesmo tempo, procuravam uma forma de fazer seus alunos sentirem-se importantes e mostram-se de forma positiva na escola. Tomada por estas questões a equipe da escola decidiu propor um projeto que se estendia na comunidade. Uma vez por mês sempre as sextas-feiras a escola abria para seus alunos e a comunidade. Em cada sala acontecia uma oficina na qual um aluno professor ou morador da região ensinava algo que sabia fazer bem. Os interessados se inscreviam previamente e podiam aprender um ofício, conhecer uma história, brincar com uma arte, jogar capoeira, etc...
A equipe se surpreendeu com os resultados. Em primeiro lugar, com a qualidade do envolvimento de todos os participantes alunos, professores e comunidade local, em segundo lugar, pela riqueza de saberes que aquela comunidade detinha e que puderam ser compartilhados, multiplicados.
Se, por um lado, a cultura local deve ter seu lugar de expressão garantido, é papel da escola trazer para seus alunos outras formas de agir e pensar:
Outras festas, outras histórias, outros modos de explicar o mundo. Mas, certamente, tendo vivido a experiência de reconhecer e valorizar sua própria cultura, a qualidade de sua relação com culturas diferentes será muito maior.

Entre idas e vindas ...


A vinda ou o retorno de jovens e adultos a escola se dá por diversas condições e situações, o incentivo da família, horário e distância do trabalho, o acesso, os custos e o processo de idas e vindas, ingressos e desistências de alguns alunos. Além disso, a imagem que os alunos têm da escola não condiz com a qual eles se deparam, pois esperam encontrar aulas apenas expositivas, muita lição de casa, cópias de conteúdo da lousa. Existe a dificuldade de se adaptar aos novos métodos de aprendizagem onde o aluno é sujeito do processo educativo.
Os educandos afirmam que estudar é importante, mas uma vez matriculados o que se verifica é uma taxa significativa de infrequência por diversas razões de ordem social e principalmente econômica e concorrem para evasão escolar.


Sendo assim, nós educadores, temos a responsabilidade de criarmos uma dinâmica que atinja o interesse do educando, para que a escola recupere seu objetivo social e supere o fracasso escolar, a repetência e a evasão.

O saber cotidiano


Outra espécie de saber dos alunos jovens e adultos é o saber cotidiano.
Por sua própria natureza, ele se configura como um reflexivo, pois é um saber da vida vivida, saber amadurecido, fruto da experiência, nascido de valores e princípios éticos, morais já formados, anteriormente, fora da escola.
 
O saber cotidiano possui uma concretude, origina-se da produção de soluções que foram criadas pelos seres humanos para os inúmeros desafios que enfrentam na vida e caracterizam-se como um saber aprendido e consolidado em modos de pensar originados do dia-a-dia. Esse saber, fundado no cotidiano é uma espécie de saber das ruas, freqüentemente assentado no “senso comum” e diferente do elaborado conhecimento formal com que a escola lida. É um saber pouco valorizado no mundo letrado, escolar e, frequentemente pelo próprio aluno.
Os conhecimentos que os alunos trazem estão diretamente relacionados a práticas sociais.